Ritmo, não percentual
O percentual acumulado diz onde a obra está; o ritmo diz para onde ela vai. Uma torre com 40% de estrutura pode estar no prazo, mas se ela fez 2 pavimentos por mês quando precisava de 4, o atraso já está contratado.
Meses que faltam ≈ pavimentos restantes ÷ ritmo real (pavimentos por mês)
O efeito em cadeia
Em edifícios, a estrutura comanda. Alvenaria, instalações e acabamento seguem a estrutura com uma defasagem. Um mês de atraso na estrutura tende a empurrar todos os serviços seguintes, a não ser que eles consigam acelerar. Por isso o atraso na estrutura é o mais caro de ignorar.
Sinais de alerta
- Ritmo das últimas semanas abaixo do necessário para cumprir o prazo
- Distância entre serviços diminuindo (equipe alcançando a anterior e ficando sem frente)
- Efetivo abaixo do plano por várias semanas
- Estoque de material crítico abaixo do mínimo
- Frente sem medição recente: você não sabe, e isso também é um alerta
Previsão com faixa, não com uma data
Uma boa previsão de término não é uma data única: é uma faixa (otimista, provável, pessimista), baseada na variação do ritmo, com as premissas explícitas. Dizer “provavelmente em março, entre fevereiro e maio” é mais honesto e mais útil do que cravar uma data.
Exemplo
Uma torre de 18 pavimentos está com a estrutura no 9º. Faltam 9 pavimentos e 3 meses até a data prevista para o fim da estrutura: o ritmo necessário é de 3 pavimentos por mês. Nas últimas 6 semanas, a obra fez 3 pavimentos, ou seja, cerca de 2 por mês. Mantido esse ritmo, faltariam 4,5 meses, e o fim da estrutura atrasaria cerca de 1,5 mês. Como a alvenaria, as instalações e o acabamento seguem a estrutura, esse atraso tende a chegar à entrega.
O que fazer com a previsão
- Recuperar: reforçar equipe, segundo turno, mudar o ciclo de laje.
- Proteger o caminho crítico: priorizar recursos para os serviços que definem a data final.
- Comunicar cedo: cliente, banco e comprador aceitam melhor uma data revisada com antecedência e justificada.