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Guia · orçamento

Orçamento de obra: do custo por m² ao orçamento discriminado

O orçamento define quanto a obra vai custar e é a base de tudo o que vem depois: viabilidade, financiamento, contratação e controle. Veja como montar um orçamento confiável e onde ele costuma errar.

3 min de leituraAtualizado em 10/10/2026

Os níveis de orçamento

NívelComo é feitoQuando usar
Estimativa por m²Área × custo por m² de referência (como o CUB)Estudo de viabilidade, antes do projeto
Orçamento preliminarGrandes grupos de serviço com índices médiosAnteprojeto
Orçamento discriminado (analítico)Quantidade de cada serviço × composição de custo unitárioProjeto executivo, contratação e controle

Quanto mais avançado o projeto, mais preciso o orçamento. Usar uma estimativa por m² para contratar a obra é uma das origens mais comuns de estouro de custo.

Passo a passo do orçamento discriminado

  1. Levante as quantidades a partir dos projetos: m³ de concreto, kg de aço, m² de alvenaria, de revestimento, pontos elétricos e hidráulicos.
  2. Monte ou escolha as composições de custo unitário: quanto de material, mão de obra e equipamento cada unidade de serviço consome.
  3. Aplique os preços de insumos e de mão de obra da região e da data.
  4. Some os custos diretos de todos os serviços.
  5. Some os custos indiretos da obra: canteiro, administração local, equipamentos, consumo de água e energia.
  6. Aplique o BDI para chegar ao preço de venda, quando for o caso.

Composições de custo: SINAPI e TCPO

Uma composição diz, por exemplo, quantas horas de pedreiro e de servente, quantos blocos e quanto de argamassa são necessários para 1 m² de alvenaria. As duas referências mais usadas no Brasil são o SINAPI (mantido pela Caixa e pelo IBGE, obrigatório como referência em obras com recursos federais) e o TCPO. Muitas construtoras ajustam essas composições com a produtividade observada nas próprias obras, o que torna o orçamento mais realista.

BDI

O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual que se aplica sobre o custo direto para cobrir despesas que não pertencem a um serviço específico (administração central, seguros, garantias, riscos, despesas financeiras), os tributos sobre o faturamento e o lucro. É mais comum em obras por empreitada e contratos públicos; incorporadoras que constroem para si costumam trabalhar com custo direto e indireto separados.

Curva ABC

Ordenando os insumos (ou os serviços) pelo valor, poucos itens concentram a maior parte do custo: concreto, aço, esquadrias, elevadores, mão de obra de estrutura. Essa é a curva ABC. Ela mostra onde negociar com mais cuidado e quais itens acompanhar de perto durante a obra.

Erros comuns

  • Orçar com projeto incompleto e não deixar verba para o que falta.
  • Usar produtividade de tabela sem ajustar à realidade da construtora.
  • Esquecer custos indiretos de canteiro, que crescem com o prazo.
  • Não atualizar o orçamento quando o projeto muda.
  • Não ligar o orçamento ao cronograma: custo sem prazo não mostra a necessidade de caixa.

Orçamento e prazo andam juntos

Cada mês a mais de obra custa canteiro, administração, equipamentos e equipe. Por isso o atraso é também um problema de custo. Acompanhar o ritmo real da obra é uma forma de proteger o orçamento.

Perguntas frequentes

  1. A estimativa usa índices médios (como custo por m²) e serve para viabilidade. O orçamento discriminado parte das quantidades de cada serviço e serve para contratar e controlar a obra.

  2. O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa e pelo IBGE, com preços de insumos e composições de serviços por estado.

  3. O BDI é aplicado sobre o custo direto para formar o preço de venda em contratos por empreitada; não é um custo de execução em si.

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